terça-feira, 30 de agosto de 2011

NA CONTRAMÃO

Bom mesmo é ser torto como o jazz
Esguio como a bossa e o samba
Andar na corda bamba
Trocar as mãos pelos pés
Pegar atalhos e fugir da direção
Abandonar a canga
Dar pano pra manga
Provocar confusão

Assim funciona a liberdade
Dá um nó em quem não entende
Mas para quem se rende
Sabe que a arte é verdade
Não se compra em mercado
Vive nas ribanceiras
Nas miragens, trincheiras
Longe do trânsito engarrafado

Meio trôpegos, cambaleantes e incertos
Os demais transeuntes são arrastados
E a correnteza que os leva amarrados
Descambam em vários desertos
Com os olhos embotados de terra
Entre pedras, poeira e fumaça
Não percebem que a vida passa
E que já perderam a guerra

Assim seguem felizes e escravizados
Como se comessem manjares
E lá de cima de seus altares
Fossem ovacionados
Enquanto isso a mídia agradece
Segue empurrando a insossa comida fria
Que desce macio na barriga vazia
Do povo que sorri e perece.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

SOPRO DE DEUS

Aqui em Rondônia o sol reina soberano
Trabalhador incansável
Não tem feriado
Não tira férias
E à noite ainda faz hora extra
Estendendo seus raios invisíveis

Pela manhã
Sem dar tréguas
Lá está ele com sua cara vermelha
Enfurecido
Pronto para tostar minha pele

Desobedece as leis das estações
Compra briga com a lua
Rompe amizade com as nuvens
Engabela o vento
Aterroriza a terra
Afugenta as chuvas
Não barganha com ninguém

Em agosto seu ego se inflama
Torna-se pedante, intragável
Sua cólera visceral empomba
Então veste sua capa escarlata
E desfila galante
Exibindo sua arrogância mórbida

Às vezes ele se dá mal
Quando isso acontece
Murcha as orelhas
Afina a voz
Esconde seu sorriso amarelo
E se desfaz ao simples
Sopro frio de Deus
para aquecer meu coração campograndense.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

CONVIVÊNCIA PACÍFICA

     O convívio com a corrupção vem de longa data e não se limita apenas na questão política, engloba todos os setores.
     Quando esse termo é mencionado logo vem à imagem ilicitudes de grande porte, tais como: lavagem de dinheiro, desvio de verbas, vantagens indevidas, apoderação de bens públicos etc, mas a corrupção tem se alargado em grande escala e se avolumado de tal forma que já faz parte do cotidiano. Sua manifestação pode estar presente em momentos corriqueiros: boicotar uma simples fila de banco, adquirir produtos piratas, fazer ligações gratuitas de um orelhão com problemas, falsificar a assinatura para que um determinado pai não saiba das notas baixas do filho, enfim, esse festim com a ilegalidade torna-se algo comum.
     Os que não compartilham com essas atitudes fraudulentas estão fadadas ao fracasso, ainda não aprenderam a viver de forma ousada, sofrerão as consequencias de ficarem ultrapassados. Para sobreviverem nesse campo minado precisam se adequar ao “esquema”, abandonar os princípios éticos e morais para se aconchegarem no recanto dos espertalhões. Assim é a lei da vida moderna: “O mundo é dos mais espertos”. Esse é o ditado popular que rege as regras da sociedade.
     Diante de tal realidade, a consciência torna-se petrificada, imune aos padrões divinos. Os inocentes andam na contramão desse sistema avassalador e aos poucos precisam barganhar. A vida é curta e não pode ser desperdiçada com a frágil dignidade.
     No Brasil, tais deteriorações não são mais encaradas como escândalos. Os menos favorecidos suportam toda a pressão, amordaçados pelo medo. O descaso político já é um perfil definido e o massacre prevalece de forma brutal, basta aceitar a situação e escorar na esperança de dias melhores.
     “A vida é um eterno baile de máscaras”, assim afirmou Machado de Assis. Para Rui Barbosa, “Quanto mais conheço os homens, mais admiro os cães”. Essa é a pintura projetada na tela do mundo. As cores vivas da corrupção há muito tempo já embotaram a honestidade. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

RECEITA TUPINIQUIM

1 pitada de Toninho Horta
1 quilo de Chico Buarque
2 quilos de Tom Jobim
1 masso de Pixinguinha
2 colheres de sopa bem cheias de Villa-Lobos
1 colher de Victor Assis Brasil
1 xícara de Nico Assumpção
200 gramas de Edu Lobo
500 gramas de Ivan Lins
2 porções de Rosa Passos
Luiz Gonzaga a gosto.

Para o molho
Jackson do Pandeiro
Ernesto Nazareth
Sivuca
Rildo Hora
João Gilberto
Raphael Rabello
Vinícius de Moraes
Francis Hime
Djavan
João Bosco
Joyce e
Leny Andrade.

Refogue tudo na panela de barro
e sirva bem quente
acompanhado de
Noel Rosa
Cartola
Ary Barroso e
Hermeto Pascoal.

OBS: Essa comida possui muitas calorias
Além de vitaminas M, P e B
Não contém contra indicações
E seu uso abusivo pode causar
o vício do paladar apurado
aprimorando as papilas gustativas.

Precauções:
Evite misturar com outros tipos de alimentos, tais como:
Sertaneja, pagode, funk carioca, axé, calypso e seus derivados.
Tais gêneros estragam o prato principal
Causando acidez excessiva
Náuseas
Irritações diversificadas
Leseiras crônicas
E outros danos irreversíveis.

Se os sintomas persistirem
Só resta uma saída:
Desintoxicação
Muito jejum
E oração.