quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

QUEIXUME



Não sei pra que toda pluma
Tanta banca, tanta pompa
se escanchada na garupa
rindo da mea culpa
é a palavra tosca quem se inflama.

Se quero que lodo vire rosa
Pavão seja peba
E carvão, pérola
Quem se importa?
Se as pedras que trago no embornal
É o que mais me encanta.

A rima que se lasque
O Aurélio que se dane
Há muito já rebolei na ribanceira o Bilac
O Dias, o Casimiro, o Alencar
Eu quero é um Ménage à trois
Com o torto e o traste.

Prefiro a companhia das palavras tronchas
Das que saem sem black tie
E fazem do chão sua cama
Se lambuzam de poeira e lama
E não sabem se noite é dia
Ou se afago é açoite
Sei apenas que poste e tolete são poesia.

Não dou trela se ela tem diploma
Até torço a cara quando me acena
E diz estar no altar feito dama
Mas se cambaleando de tão bêbada
Cai num pé de guanxuma e diz que é puta
Apenas ergo sua saia e ela já está pronta.