quarta-feira, 27 de novembro de 2013

EMBAGRECIDO

Lá pras bandas do Miranda
Apoitado na toca da onça
Ele passou por mim
Entanguido que só
Lembrei-me.
Desfilou todo entojado
Tocando Miles e Morgan
O resto dos peixes
Embalados pelas ondas do momento
Não davam nem as horas.
- Num canta não, nojento?  - desdenhava a piraputanga
- Larga essa corneta, malassombro! – pilheirava o pacu
Até cascudo tirava uma casquinha do pobre
Assuntei bem a lição.
Eita bicho medonho
O tal do bagre
Pode estar entocado em seu isolamento
Solitário e escarnecido
Mas sobrevive a todo instante
Desacata o tempo
Desmente a lua
E segue seus lamentos
Sem saber que cá do barco
Eu embagrecia, todo vaidoso
Enquanto as águas, como espelhos
Refletiam minha vida
Escorrendo rio abaixo.