quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

AMOR ETERNO

“Não vai mudar, toda mãe é assim, mãe é o nome do amor”. Todo filho compreende a canção “Dona do horizonte”, uma homenagem de Djavan que se estende a todas elas, fãs incondicionais de suas crias, detentoras de elogios que nos acompanham durante a trajetória da vida.
- Nossa, meu filho, que lindo seu desenho! –
Em meio a tantos rabiscos indefinidos, só os seus olhos puderam contemplar a tal obra de arte.
- Filho, sua voz ficou perfeita nesta canção! –
Se há algum erro, é da gravação, sempre serei o seu Sinatra!
   Trancava-me no salão, onde durante o dia funcionava um açougue, mas à noite virava meu estúdio improvisado. Enquanto as latas de guardar alimento eram os tons e a caixa, a tesoura no pé esquerdo, o chimbal e o estojo de guardar a acordeon, o bumbo, suportando o show barulhento, dizia, sorrindo:
   - Lindo esse som, meu filho, parece uma bateria de verdade!
Quando a tristeza ainda resolve rondar a minha porta e abater o meu espírito, lá vem ela:
- Filho, você é capaz, tenho certeza que vai conseguir.
Basta recepcionar as visitas que as propagandas e divulgações nos elevam sem modéstia e as fotos circulam de mãos em mãos, demonstrando toda a evolução. Para elas, embora já tenhamos deixado o ninho há muito tempo, ainda somos como embriões.
Onde poderemos encontrar um amor assim, a não ser nos braços de Deus!
Por isso, aos 66 anos de idade, comemorando seus 40 de carreira, na cerimônia de premiação, realizada em Las Vegas, sendo homenageado na 16ª entrega do Prêmio Grammy Latino (Prêmio à Excelência Musical), Djavan fez questão de agradecer, publicamente, a esse amor incondicional, embora estejam separados em tempo e espaço há tanto anos, este sentimento sempre acompanhou e alimentou sua alma de poeta.

Faço questão de transcrever toda a letra desse genial compositor, como fonte de agradecimento a esta que também revigora minhas forças e registra sua eternidade na mente e no coração: minha mãe!

“Eu já nasci
Minha mãe quem diz
Predestinado ao canto
Ela falou
Que eu tinha o dom
Quando eu estava
Na soleira
Dos meus poucos anos!
Foi indo assim, quando dei por mim
Já não fazia outra coisa
Cantava ali, só pra ela ouvir
E me dizer coisas tão boas
Por exemplo
Quero vê-lo o mais querido
Como nosso Orlando
Hei de ler seu nome escrito
Em placa de avenida
Não vai mudar, toda mãe é assim
Mãe é o nome do amor!
Logo cresci
Minha mãe ali
Dona do horizonte
Me fez ouvir
Dalva de Oliveira
E Angela Maria todo dia
Deusas que adorava
Tinha prazer
Em me levar pra ver
Luiz Gonzaga cantar
Não sem deixar
De advertir
Pra que eu estudasse sempre mais
E sem descanso
Quero vê-lo o mais querido
Como nosso Orlando
Hei de ler seu nome escrito
Em placa de avenida
Não vai mudar, toda mãe é assim
Mãe é o nome do amor!”